Coleção Novas Marés

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A maior representatividade do nosso movimento da vida: as marés.

Têm seus dias calmos.
Têm seus dias revoltos.
Uns dias altos.
Outros nem tanto.
Uns dias bem baixos.

Têm dias que queria ser só um barquinho de papel.
E me deixar navegar pelas águas até o azul desse céu.
Têm dias que queria ser um grande barco para ficar estável.
Que me deixasse bem visível no meio desse mar tão imprevisível.

Têm dias que sua cor nos leva ao desejo do banho.
Em outros o cinzento dos desencantos.
Em verão são os mais visitados.
No inverno só os mais aventurados.

Têm dias que ficamos perplexos com a imensidão.
Vendo o ir e vir com certa gratidão.
Tem dias que dão aquele medão.
Diante de tanta força que tem sua agitação.

Sua cor muda conforme o seu humor.
Sua dor conforme o mundo joga seu furor.
Somos assim sem tirar nem por.
A dor e a delícia de ser verdadeiro e viver no amor.

ÂME, outubro de 2020.

Novas Marés